Com incertezas, cenário é de retomada descontínua no RS

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MAIO, 2020

Notícias

O Rio Grande do Sul começa a reabrir a economia, mas incertezas relacionadas ao coronavírus desafiam a reação nos próximos meses. Diante das dúvidas que a pandemia espalhou no ambiente de negócios, especialistas mencionam que a retomada tende a ocorrer de maneira descontínua. Ou seja, a recuperação deve avançar em ritmo lento, com a possibilidade de intercalar períodos de alta com momentos de perda de fôlego. Seria como um veículo que tenta subir a ladeira, mas é obrigado a reduzir a velocidade ou até a estacionar em alguns pontos do trajeto.

A projeção nacional é similar. Na terça-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) publicou ata na qual considera “plausível” o cenário de retomada com “idas e vindas” para a economia brasileira.

– A recuperação, muito provavelmente, será irregular. A crise sanitária é um desafio com o qual não havíamos convivido – sublinha Oscar Frank, economista-chefe da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre.

Para reabrir a economia aos poucos, o governo estadual colocou em prática o plano de distanciamento controlado. O modelo divide o RS em 20 regiões, com 12 setores econômicos. A intenção do Palácio Piratini é autorizar ou não o funcionamento das atividades após a análise semanal de condições epidemiológicas. Ou seja, dependendo do comportamento do vírus, o nível de restrições em uma região poderá aumentar ou diminuir.

É essa imprevisibilidade trazida pela pandemia que preocupa empresários. A Coreia do Sul, por exemplo, teve de fechar bares e clubes após novos registros de contaminações no final de semana. O país é referência no combate à covid-19.

Para especialistas, a iniciativa do governo gaúcho pode representar o primeiro passo de uma recuperação das perdas causadas pelo coronavírus. Contudo, o Estado também depende do desempenho do país. E é esse ponto que semeia opiniões divergentes.

Uma parcela dos economistas entende que o governo Bolsonaro terá de retomar a agenda de reformas e austeridade fiscal no pós- pandemia. A preocupação com as finanças serviria para elevar a confiança de investidores e estimular aportes privados no país.

– Agora, é preciso adotar medidas que minimizem os danos e salvem o maior número possível de empresas e empregos. Mas, ao voltarmos a uma situação de normalidade, políticas de estímulo fiscal devem ser revistas – avalia o economista Felipe Garcia, professor da UFPel.

Cenários

Outra parte dos especialistas considera que a saída para reanimar a economia é a aposta em novas medidas de incentivo, apesar da elevação nos gastos do governo. O pacote deveria incluir ações na área monetária, com linhas de crédito mais atrativas para empresas em bancos públicos, aponta Fernando Ferrari Filho, professor da UFRGS:

– Se o governo não fizer essa parte, decisões de investimentos e consumo serão postergadas.

No RS, indicadores começam a dimensionar as perdas. Em março, o volume do setor de serviços despencou 11% em relação a fevereiro, conforme o IBGE.

– Traçar cenário para a economia, agora, é um pouco temerário. A pandemia atingiu principalmente o setor de serviços, e a estiagem prejudicou a safra. Em relação a outros Estados, o Rio Grande do Sul pode dar passo adiante, mesmo que incipiente, no processo de retomada econômica – resume Ferrari Filho.

Horizontes dos negócios

Uma sopa de letras está por trás do debate sobre o formato de retomada dos negócios depois da crise do coronavírus. No vocabulário de economistas, o desempenho em formato V representaria reação rápida. Ou seja, a atividade das empresas cairia muito com a pandemia, mas voltaria a subir logo na sequência. Esse, entretanto, não deve ser o trajeto nos gráficos do Estado, nem do Brasil, dizem especialistas.

– Antes de o vírus chegar, ainda enfrentávamos dificuldades para recuperar perdas da recessão de 2015 e 2016. Com o tecido econômico fragilizado, passamos a viver nova crise – explica o economista Marcos Lélis.

Para o professor da Unisinos, o RS dependerá ainda mais das ações do governo federal para espantar a turbulência provocada pela covid-19. Lélis acredita que o Ministério da Economia terá de encontrar brecha no orçamento para novas medidas de estímulo após a crise, como investimentos em infraestrutura, além da manutenção do auxílio para trabalhadores informais.

Assim, a retomada, tanto no Estado quanto no restante do país, poderia ocorrer no formato da letra U. Ou seja, a atividade cairia de forma abrupta, passaria por período de acomodação até ganhar fôlego e voltaria a subir. Conforme Lélis, o desempenho se daria em L no pior cenário – tombo seguido por estagnação.

O economista-chefe da CDL Porto Alegre, Oscar Frank, concorda que o RS irá na carona no cenário nacional.

– A questão do Estado é a mesma do Brasil. Não existe outra via que não seja a das reformas para redução de gastos públicos – argumenta.

 

Fonte: Jornal Zero Hora – Edição impressa em 14 de maio de 2020.

 

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A CDL Porto Alegre reafirma seu compromisso em acolher as necessidades dos varejistas, auxiliando-os a transpor os entraves da disseminação do coronavírus. A Entidade tem a convicção de que a unidade do setor fará grande diferença neste momento tão delicado e de apreensão para todos. Com a atenção e a disponibilidade de cada empresário, para fazer a sua parte, o setor sairá ainda mais forte desta crise.