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Empresários gaúchos estão otimistas para 2019

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NOVEMBRO, 2018

Notícias

Evento promovido pela CDL POA abordou as projeções para a economia e o desempenho do varejo no ano que vem

As perspectivas políticas e econômicas para o próximo ano dominaram os debates do projeto Cenários 2019, promovido ontem pelo CDL POA, no Teatro CIEE, na Capital. O encontro reuniu empresários gaúchos Carmen Ferrão, superintendente do Grupo Lins Ferrão; Roberto Argenta, presidente da Calçados Beira Rio; e Jorge Bender, sócio-diretor da Lojas Monjuá; o economista Aod Cunha e o jornalista Augusto Nunes, que fizeram suas abordagens para uma atenta plateia.

 Ao abrir o evento, o presidente do CDL POA, Alcides Debus, ressaltou a importância de manter os varejistas bem informados sobre as mudanças conjunturais, para ajudá-los na tomada das melhores decisões para seus negócios. “Nós, empresários, dependemos de boas leituras do ambiente dos negócios para termos boas decisões. Pois quando a gente erra, muita gente perde”, disse. Primeiro painelista da tarde, Aod Cunha fez uma análise conjuntural otimista do País, mas enfatizou que sem o urgente enfrentamento da Reforma da Previdência, o foco no aumento da produtividade, na negociação das dívidas dos estados e em mudanças na Lei de Responsabilidade Fiscal o Brasil não terá condições de avançar rumo ao tão desejado desenvolvimento.

“Para o Brasil há uma expectativa positiva em torno das reformas que precisam ser feitas e do crescimento econômico que foi deixado de lado nos últimos anos. Ainda existe bastante liquidez de investimento, desde que sejam feitas as reformas, principalmente a da Previdência, que será difícil, mas que é o único cenário possível para recuperação”, destacou Aod. Ele também condicionou as boas perspectivas à manutenção da inflação dentro das metas e à condução da política monetária “sob controle”. “Aparentemente temos um cenário confortável”, ponderou.

Sobre o cenário do Rio Grande do Sul, o economista enfatizou as dificuldades fiscais, comuns a estados como Rio de Janeiro e Minas Gerais, e disse que sem priorizar o tema será difícil para os novos governos planejarem o futuro. Também otimista com o futuro do Brasil, Augusto Nunes elogiou os primeiros movimentos do presidente eleito Jair Bolsonaro, principalmente a escolha do juiz Sérgio Moro para o Ministério da Justiça, e disse que o País precisa acordar para o combate ao “tumor que é o crime organizado”. Ele também defendeu o resgate de uma política voltada ao ensino público de qualidade.

 Varejistas reforçam o compromisso com as marcas regionais e o foco no cliente

 A empresária Carmen Ferrão, do Grupo Lins Ferrão, ressaltou ser um momento especial do País e da empresa, que no próximo dia 1 de dezembro comemora os 65 anos da Lojas Pompéia. “Neste período muita coisa aconteceu. Tantos planos econômicos, tanta coisa que se passou. E se superou”, disse. Conforme ela, independentemente do momento econômico, o Grupo Lins Ferrão (que engloba as marcas Pompéia e, desde 2013, a Gang), acredita na continuidade do negócio.

“Temos apostado, há muitos anos, na governança corporativa. E preparado, com muito cuidado, o ingresso das novas gerações”, disse. O planejamento estratégico do grupo, feito para os próximos cinco anos, tem a integração como o grande desafio. “Decidimos que independente de quem fosse o presidente eleito, manteríamos as nossas metas, que incluem a expansão de 23 lojas da Pompéia e 37 da Gang, entre lojas de rua e de shopping”, comenta Carmen. A ampliação também se dará virtualmente. O grupo está em 89% dos municípios brasileiros de forma física ou virtual.

 O segredo, conforme Carmen, é olhar para o cliente, independentemente de como estão as questões econômicas. Presidente da Calçados Beira Rio, o empresário Roberto Argenta trouxe ao evento uma proposta concreta para a geração de novos empregos. “Minha sugestão é bem audaciosa. São mais de 12 milhões de novos empregos”, disse. Como prioridade, ressaltou a manutenção da taxa de câmbio aos níveis atuais, o incentivo ao turismo interno e a vinda de turistas do exterior e o incentivo à exportação de produtos industrializados, de serviços e do agronegócio. Argenta propôs a criação de um mercado comum latino-americano, unindo América do Sul, América Central e México. “É muito mais fácil falar com o mercado dos países vizinhos do que com os EUA e Europa. Temos potencial para vender. Há uma facilidade de nos aproximarmos destes países”, afirmou.

Argenta frisou, ainda, a criação de um fundo soberano – com até 30% das reservas cambiais para investimentos. Os recursos seriam repassados pela Caixa Econômica e pelo Banco do Brasil, com juros de 1% ao ano e com prazo de até 30 anos. O sócio-diretor da Monjuá, Jorge Bender, ressaltou que há um consenso de que o momento é favorável aos negócios. Entre as reformas, ressaltou a da Previdência e a Tributária. “Se elas se concretizarem, poderemos ter crescimentos a nível da China”, destacou.

O executivo contou sobre a recente transição da Loja Três Passos para a marca Monjuá. A Três Passos, que começou há mais de 50 anos no interior do Rio Grande do Sul, acaba de passar por um reposicionamento. “Mexemos do chão ao teto, uma mexida totalmente agressiva e forte”, ressaltou. Segundo ele, as alterações devem levar mais quatro anos. A Monjuá foca em um público mais jovem, com redefinição do mix de produtos. “Começamos a desenvolver coleções próprias, redefinimos todo layout, o quadro de colaboradores, e as lojas foram mudando”.

Fonte: Jornal do Comércio – Ana Fritsch e Fernanda Crancio