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As novas projeções econômicas do FMI para o Brasil e o mundo

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OUTUBRO, 2019

Notícias

O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou nessa semana a sua mais recente avaliação sobre o cenário macroeconômico global, além de novas estimativas para diversas variáveis, categorizadas por países. Entre os números de maior relevância, a expectativa é de que o mundo cresça +3,0% em 2019: a taxa mais baixa desde 2009, ano marcado pelos efeitos da crise financeira internacional.

A análise comparativa dos últimos relatórios trimestrais evidencia uma desaceleração de 0,2 ponto percentual (p.p.) em comparação com julho, e de 0,9 p.p. frente a estimativa realizada em abril de 2018. Essa tendência declinante também pode ser observada nas projeções para o PIB mundial em 2020, conforme o gráfico abaixo.

As revisões baixistas vêm ocorrendo, principalmente, em função de disputas que provocaram a elevação de tarifas de importação (entre Estados Unidos e China e Estados Unidos e União Europeia). Como resultado, as transações internacionais de bens e serviços continuam arrefeceram. Além disso, de acordo com os analistas do FMI, (i) a escalada da incerteza decorrente das guerras comerciais e de questões geopolíticas, como o Brexit; (2) de particularidades que impediram um crescimento mais vistoso de inúmeros emergentes, incluindo o Brasil, e (3) dos novos padrões de emissão de gases, que afetaram a produção de veículos na Alemanha e na China, são algumas das causas.

Outro ponto de destaque dessa publicação é o cálculo dos impactos de alguns dos eventos mais marcantes da atual conjuntura. Segundo o FMI, a guerra comercial entre Estados Unidos e China deve tirar 0,8 ponto percentual do PIB global no ano que vem. No entanto, a queda dos juros e a injeção de liquidez (moeda) observada nos últimos meses, sobretudo nas nações desenvolvidas, evitará uma retração de 0,5 ponto percentual em 2019, valor que deve se repetir em 2020.

A concretização do cenário de maior crescimento mundial em 2020 só deverá acontecer mediante a estabilização de países como Irã, Argentina e Venezuela, a da retomada de nações como o Brasil, México, Índia, Rússia e Arábia Saudita.

Especificamente para o caso brasileiro, o cenário para o crescimento é muito próximo em relação ao traçado pelos agentes consultados pelo Relatório FOCUS, do Banco Central. O FMI prevê avanço de +0,9% do PIB no presente ano, um pouco acima dos +0,87% do consenso de mercado, enquanto ambos esperam que a variação de +2,00% no ano que vem.

Conforme o FMI, a Reforma da Previdência é fundamental para viabilizar o sistema, evitando que a dívida pública assuma uma trajetória explosiva. O ajuste fiscal ainda é o principal desafio nacional, e novas medidas de equilíbrio entre despesas e receitas precisam tomadas. Por sua vez, a política monetária deve estimular a atividade enquanto as expectativas de inflação estiverem bem-comportadas. Por fim, a agenda de reformas envolve a atualização tributária, abertura comercial e os investimentos em infraestrutura. Infelizmente, a janela de oportunidade para a adoção dessas medidas está menos favorável, por conta do cenário internacional mais conturbado.

*Conteúdo exclusivo – Oscar Frank, economista-chefe da CDL POA

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