Análise das metas de inflação do Brasil para os próximos anos

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JUNHO, 2020

Notícias

Além de ratificar as metas de inflação do Brasil para 2021 e 2022 (+3,75% e 3,50%, respectivamente), o Conselho Monetário Nacional (CMN) deliberou ontem que o objetivo a ser seguido pelo Banco Central em 2023 é de +3,25%. Em todos os casos, o intervalo de tolerância é de 1,5 ponto percentual (p.p.), para mais ou para menos.

Consolida-se, portanto, o processo de redução gradual de 0,25 p.p. por ano, iniciado em 2019. A ideia é se aproximar daquilo que é praticado em boa parte dos países emergentes (cerca de 3,00%).

Afinal de contas, por que adotamos esse regime? A literatura acadêmica é rica em evidenciar que as nações que incorporam tal sistema apresentam, de fato, melhor controle sobre os níveis de preços. Como resultado da estabilidade do poder de compra da moeda, o crescimento do PIB é maior, dado o aumento do horizonte de previsibilidade dos agentes. Outra consequência positiva diz respeito à distribuição de renda, favorecendo, sobretudo, os mais pobres.

E o que pode ser dito sobre a decisão do CMN? Por um lado, o Brasil e o mundo estão mergulhados em uma crise profunda, que amplia significativamente a capacidade ociosa, tanto de mão de obra quanto do maquinário instalado nas indústrias. Em situações como a atual, vale lembrar, existem pressões deflacionárias, em função da fraqueza da demanda. Ademais, o Brasil aprovou, no ano passado, a mudança nas condições de acesso aos benefícios previdenciários, que ajudará na contenção dos gastos púbicos.

Por outro lado, as medidas necessárias para amenizar os efeitos da COVID-19 elevarão, de maneira impactante, o déficit esperado para 2020 da União, estados e municípios. Isso não chega a ser um problema no presente ano, devido ao Estado de Calamidade, que comporta essa resposta.

O “X” da questão reside na deterioração da trajetória fiscal causada pelo novo coronavírus, impondo desafios já em 2021. Conforme destacado pela IFI, vinculada ao Senado Federal, o Teto de Gastos alcançará seu limite. Nesse sentido, o principal risco é de que algumas das políticas temporárias de incremento das despesas se tornem permanentes, o que coloca em xeque a Emenda Constitucional de 2016.

Em suma, é fundamental separar a conjuntura (momento relativamente prolongado de procura baixa) com a dificuldade na estrutura (avanço sistemático dos dispêndios do governo). Logo, a solução envolve a continuidade da agenda de reformas, visando assegurar, entre outras finalidades, o cumprimento da meta de inflação no médio e longo prazos.

*Conteúdo exclusivo – Oscar Frank, economista-chefe da CDL POA

 

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