Análise Boa Vista: inadimplência das famílias sobe para 4,19%, mas juros caem para 39,93%

Análise Boa Vista: inadimplência das famílias sobe para 4,19%, mas juros caem para 39,93%

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JUNHO, 2021

Notícias

A inadimplência das famílias com recursos livres encerrou o mês de maio em 4,19% após mais uma alta na comparação mensal, desta vez, de 0,07 pontos percentuais, segundo dados divulgados nesta segunda-feira, 28, na nota de crédito do Banco Central. O terceiro aumento consecutivo na taxa foi antecipado pelo indicador de Registros de Inadimplentes da Boa Vista, empresa parceria de negócios da CDL POA e da Rede de Entidades Parceiras, que havia apontado alta de 2,2% no mês, na série de dados dessazonalizados, e desaceleração da queda na análise de longo prazo, que passou de -21,3% em abril para -20,0% em maio em 12 meses acumulados. Além disso, a queda mais acentuada no indicador de Recuperação de Crédito, de -1,2% ante -0,8%, na mesma base de comparação anterior, sugere que os consumidores encontram alguma dificuldade para equilibrar o orçamento.

Na avaliação dos economistas da Boa Vista, essa nova tendência, reforçada mês a mês, é um retrato mais fiel do cenário econômico atual, no qual o mercado de trabalho segue debilitado pela crise, tanto que no mês de março registrou a taxa de desemprego mais elevada de toda série histórica, de 14,7%, o comprometimento de renda segue alto e a inflação não esmorece, algo que, também, deve pressionar a taxa de juros para cima. Isso tudo junto tende a fazer com que a recuperação econômica tenha um gosto um pouco amargo ao consumidor, que fica inadimplente e, mesmo quando sai da base, geralmente, volta pouco tempo depois.

No mesmo período, por outro lado, a taxa de juros caiu de 41,06% para 39,93%. Houve elevação no custo de captação, de 6,99% para 7,22%, mas, o spread bancário passou de 34,07 para 32,71 pontos percentuais. A variação no custo de captação não surpreende e segue alinhada à taxa básica de juros, Selic, que está numa trajetória de alta e, que, por sinal, mira cada vez mais alto. No início do ano, as projeções da Selic para o final de 2021 apontavam para 3,00% ao ano, hoje, com a taxa em 4,25%, o novo norte está bem mais a frente, na casa de 6,50%. A queda no spread, no entanto, contradiz a lógica, dado que a inadimplência se manteve numa tendência de alta, o que não deve mudar nos próximos meses.

Por fim, a concessão de recursos livres aponta crescimento de 4,81% na variação acumulada em 12 meses, ante 0,08% em abril e -4,05% em março. A inclinação da curva de concessão, no entanto, só deixa evidente que o efeito base é muito fraco, dado que, no ano passado, a concessão esbarrou em diversos obstáculos, todos oriundos da mesma causa. Tanto que, no ano, o aumento da concessão é bem mais expressivo, de 14,91%.

Data

29 junho 2021

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